Sidarta Ribeiro: do que o Brasil precisa e o que farei por isso

Entrevista do NEXO JORNAL –

Sidarta Ribeiro é professor titular de neurociências e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É bacharel em biologia pela UnB, mestre em biofísica pela UFRJ e doutor em comportamento animal pela Universidade Rockefeller, com pós-doutoramento em neurofisiologia na Universidade Duke. Tem experiência em neuroetologia, neurobiologia molecular e neurofisiologia de sistemas. É diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador científico da Plataforma Brasileira de Política de Drogas.

Este texto é parte de um projeto de breves entrevistas com membros da sociedade civil, que durante a campanha eleitoral vão falar de suas expectativas para o próximo mandato presidencial e apontar suas próprias ações na tentativa de contribuir para o futuro do país.

Do que o Brasil precisa nos próximos quatro anos?

“O Brasil é grande e pujante demais para dar errado. Há 50 anos tínhamos desenvolvimento comparável ao de China e Coréia do Sul, que hoje nos superam em inúmeros aspectos. Precisamos urgentemente nos levantar como Nação soberana e fazer este país realmente dar certo, e investir ao máximo no capital humano que temos.

Nos próximos quatro anos precisamos de nove revoluções. A primeira é a revolução na educação, com federalização dos ensinos médios e fundamental, equiparação pelo alto entre salários do magistério e dos professores universitários, educação em tempo integral, redução do número de alunos por sala de aula, e personalização do aprendizado, com um laptop por estudante para contínua coleta de dados.

A segunda é a revolução da saúde, com fortalecimento do SUS e investimento na prevenção e no cruzamento inteligente de dados clínicos por meio do cadastro único.

A terceira é a revolução energética, com investimento prioritário nas tecnologias solar e eólica.

A quarta é a revolução em ciência e tecnologia, com a meta de investir 2% do PIB no setor.

A quinta revolução é na segurança, por meio da legalização e regulamentação de todas as drogas, fomento da produção de maconha em comunidades periféricas, anistia para usuários e pequenos traficantes sem crime violento e reparação dos danos da guerra às drogas por meio de investimentos extra em educação, saúde, cultura e esporte nas comunidades periféricas.

A sexta revolução é ambiental, com proteção de todos os biomas brasileiros, tratamento inteligente do lixo, priorização da reciclagem, redução drástica do desmatamento, recuperação dos mananciais e investimento na economia sustentável capaz de alavancar o desenvolvimento sem destruir o meio ambiente.

A sétima revolução é agrícola, para que o Brasil se torne líder na produção de alimentos orgânicos e livres de pesticidas.

A oitava revolução é na representação política, com aprofundamento da democracia direta por meio de consultas eletrônicas a todos os cidadãos.

A nona revolução é cultural, por meio da proteção e fomento das comunidades indígenas e quilombolas, bem como dos mestres de saber popular, com disseminação ampla de seus valores culturais para a população em geral, por meio dos ensinos formal e informal.

Se os imensamente ricos deixarem de espoliar a massa de pobres e remediados, passando a investir neles de verdade, seja indiretamente por meio de impostos justos, seja diretamente por meio da filantropia, podemos em poucas décadas revolucionar nossa situação.

Precisamos entrar logo no século 21. Caso contrário, retrocederemos às iniquidades do século 19.”

E o que você vai fazer para isso, para além do voto? “Atuar com entusiasmo cívico na transformação de que necessitamos, por meio das minhas atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária, seja como cientista ou como professor de capoeira, duas atividades que se complementam bastante na intervenção social. Acho crucial o engajamento político cotidiano com pessoas de classes sociais e posições políticas diferentes, pois o Brasil só vai superar a situação humilhante em que se encontra se formos capazes de galvanizar um projeto de Nação que atenda verdadeiramente às necessidades da maioria da população brasileira.”

Com produção de Mariana Vick

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2018/09/04/Sidarta-Ribeiro-do-que-o-Brasil-precisa-e-o-que-farei-por-isso

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