Referência para o Brasil que queremos

Por Dioclécio Campos Júnior

Para o Correio Braziliense –

O Brasil tem como superar todos os obstáculos que se colocam à sua frente. Não são poucos nem insignificantes. Ao contrário, não param de crescer. Avolumam-se a olhos vistos. Alguns são trágicos e destrutivos, como a triste desintegração da cidadania. Outros são mórbidos e alucinatórios, como os fanatismos degradantes que contagiam a mente das pessoas.

Na verdade, o território nacional deve ser visto como o corpo do país. É um dos maiores do planeta. Além disso, e por essa mesma razão, dispõe de recursos ambientais diversificados e encantadores. São fontes da nossa incomparável riqueza natural, privilégio pouco reconhecido. A alma coletiva do corpo territorial do país é a sua população humana. Inclui todos os seres vivos dotados de uma consciência potencial que, se devidamente desenvolvida, constrói a personalidade da nação com a energia disponível no fértil meio ambiente do organismo territorial.

A sociedade brasileira não pode mais manter-se confinada ao terrível labirinto social que lhe tem sido imposto. Infelizmente, para sobreviver a tão desoladora e estressante situação, os habitantes do país distanciam-se cada vez mais da evidência das sólidas virtudes morais e éticas que integram a consciência humana e prosperam nas entranhas da alma nacional. Em outras palavras: o Brasil possui admirável corpo e virtuosa alma que, harmoniosamente unificados, podem contribuir, de forma decisiva, para a superação da tenebrosa crise que tem desalentado a maioria dos compatriotas.

Esse imenso potencial libertador, inerente ao país, é uma trajetória a ser percorrida com a convicção necessária. Para tanto, não faltam capítulos históricos que comprovem a capacidade construtiva da nação brasileira. Representam o legado de lideranças respeitáveis, claramente comprometidas com a nobre causa social que souberam abraçar com amor. São as nossas louváveis figuras humanistas cujos perfis comportamentais de qualidade devem ser sempre relembrados como referências para as novas gerações. São exemplos memoráveis para que os cidadãos adquiram o mais alto nível educacional. É a forma de mantê-los informados e mobilizados a favor do padrão de vida que requer respeitosa relação com o próximo.

Pensamentos e ideias, obras e ações do ex-presidente Juscelino Kubitschek são conteúdos históricos que devem inspirar iniciativas para libertar a alma brasileira do labirinto em que sobrevive. Durante o mandato, a frase referencial mais consistente foi o lema: “Progredir 50 anos em cinco”. Com efeito, o balanço realizado não deixa dúvida de que o avanço alcançado pelo país, durante os cinco anos de seu governo, foi até superior a 50 anos.

Juscelino não era comprometido com nenhum partidarismo fundamentalista. Provou que era dotado da sabedoria humana necessária ao exercício da função presidencial.  A mudança da capital da República e Distrito Federal para a Região Centro-Oeste do país é um dos seus grandes legados históricos. É vista como a redescoberta do Brasil. De fato, a região atravessou ampla metamorfose socioeconômica e cultural para redimensionar o território nacional. Por seu lado, os criativos projetos arquitetônicos e urbanísticos de Brasília, respectivamente elaborados por Oscar Niemeyer e Lucio Costa, são a prova de que o país possui, em todos os campos de atuação, gente com nível diferenciado de inteligência capaz de promover marcantes transformações.

Na fase inicial de construção, Brasília recebeu a visita de personalidades políticas, culturais e intelectuais de vários países. O projeto mostrou-se admirável em todos os sentidos. Assim, tornou-se a cidade que, no mais curto tempo de sua história, foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. É uma obra reveladora da nossa autêntica capacidade de crescer com o dinamismo necessário.

Brilhantes pensamentos de Juscelino Kubitschek merecem destaque:

1) “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”;

2) “Não consigo guardar ódios no meu coração”;

3) “O perdão é a marca da grandeza, sobretudo quando se tem em vista um objetivo mais alto”.

Foi graças a tantas e humanas ações reflexivas de seu grande estadista que o país conseguiu avançar mais de 50 anos em cinco. Por tudo isso, precisamos retomar tão valiosa referência para construir o Brasil que queremos.

Deixe um comentário