Isaac Roitman entrevista uma das fundadoras do Centro de Referência em Educação Integral e Ambiental

Por Andréia Filgueira, sob supervisão de Janaína Vieira – 

Yara Meira Magalhães foi entrevistada no Movimento 2022: O Brasil que Queremos, programa produzido pela TV SUPREN, canal de comunicação da União Planetária

“A grande mudança está brotando, silenciosamente, debaixo para cima”, diz professora e fundadora do Centro Referência em Educação Integral e Ambiental – CREIA, Yara Meira Magalhães, em entrevista ao programa 2022: O Brasil que Queremos, que é apresentado pelo professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), Isaac Roitman.

Em busca de novas formas de expressões e ações, a professora inicia sua fala dizendo que possui como pilara educação para a formação de um novo tempo e uma sociedade mais solidária e consciência. Recorda que ao chegar à capital, houve um fluxo de sociólogos, artistas, ecologistas, agrônomos e representantes de minorias à sua procura para buscar elementos sobre a Educação Integral que consiga ser aplicável em sua devia área de trabalho. Desde então, inspirou-se e acolheu uma aplicação de visão mais ampla na formação dos princípios da Educação Integral e do surgimento do CREIA, “que compreende que a educação deve garantir o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões”.

O Centro Referência em Educação Integral e Ambiental é um projeto que realiza atividades dinâmicas. “É um espaço de encontro. Eu jamais vou poder contabilizar o que nós fazemos. Ter consciência do que já foi produzido e fazer estatísticas, não é permitido para nós com este dinamismo”, afirma.

Sobre a realidade atual do mundo, sobretudo o crescimento da desigualdade social,a entrevistada apontou possíveis caminhos para as transformações necessárias para a mudança desse quadro. “Pelo o que a gente vai apreendendo com os índios, é preciso trabalhar com as duas lógicas ao mesmo tempo. A gente está na lógica do capital e eles estão nos propondo a lógica da vida. Então, basicamente, ou a gente opta por uma ruptura, ou nós vamos ter sempre o mais ou menos”, reflete.

Cotas Raciais                                          

Carlos Moura, secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e fundador da Fundação Cultural Palmares, também foi um dos entrevistados do programa em junho.

No programa, ele falou sobre os princípios e as principais atividades da Comissão Justiça e Paz, CNBB e da Fundação Cultural Palmares. Além disso, Moura trouxe sua visão sobre as políticas afirmativas das cotas raciais e as atitudes que a sociedade precisa tomar para alcançar um Brasil e um mundo melhor.

 

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, que faz parte da Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil, tem como objetivo realizar ações, apoiar e refletir com instituições e com personalidades, na perspectiva da realização do bem comum. Mas, principalmente, além de trabalharem com adultos, crianças e idosos, trabalham com os menos afortunados, as vítimas de racismo e preconceitos, porque acreditam que para chegarmos à justiça e à paz, precisamos de todos.

Já a Fundação Cultural Palmares, busca contribuir para a valorização das manifestações culturais e artísticas afro-brasileiras,resgatando estes valores e lançando-os para a sociedade com a missão de derrubar os preconceitos contra a comunidade negra. “Superação que se dará na medida do conhecimento destes valores culturais afro-brasileiros”, diz Moura. Domínios de mineração, literatura, música e de espiritualidades são umas das diversas contribuições trazidas pelos afro-brasileiros que são destacadas pela Fundação. “Ninguém ama aquilo que não conhece”, afirma.

Sobre as cotas raciais, tema polêmico e que divide opiniões, ele defende e fala que elas são“fundamentais porque propiciam que a comunidade negra possa ter acesso aos bancos escolares superiores. Não se entra na universidade através das cotas sem o conhecimento. Com isso, é necessário que o ingresso na universidade, a permanência e a conclusão sejam feitas para uma boa inclusão destes na sociedade civil, e, também, para que os negros sejam mais aceitos na sociedade acadêmica”.

Carlos Moura conclui, enfatizando que é preciso superar e eliminar as desigualdades para que as pessoas possam vivem em uma comunidade com dignidade.

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