Fraser Stoddart, Nobel de Química em 2016, vem à UnB

Cientista escocês estuda máquinas moleculares. Em 9 de abril, ele ministra palestra aberta no auditório da ADUnB e recebe o título de Doutor Honoris Causa 

Da Secretaria de Comunicação da UnB

Não se deixe abater por aqueles que dizem não haver nada depois, que te recomendam não explorar o desconhecido. Aproveite o ânimo de explorar o desconhecido!”. Esse é o conselho do químico vencedor do prêmio Nobel de 2016, Sir James Fraser Stoddart. O laureado estará na Universidade de Brasília no próximo dia 9 de abril, quando fará palestra aberta a todo público interessado, no auditório da ADUnB.

Ganhador do Nobel de Química em 2016, Fraser Stoddart estará na UnB em 9 de abril. Foto: Alexander Mahmoud/Nobel Prize

A palestra do cientista está marcada para as 11h. Mais tarde, às 14h30, ele recebe o título de Doutor Honoris Causa da UnB, em cerimônia no auditório da Reitoria. “A pesquisa de Stoddart é um exemplo de como os investimentos em pesquisa básica são capazes de impulsionar a inovação. Aplicar recursos na ciência é estratégico e, certamente, o relato de nosso visitante dará uma dimensão disso”, acredita o vice-reitor da UnB, Enrique Huelva.

A vinda do cientista acontece por meio de parceria entre a biofarmacêutica global AstraZeneca e o Nobel Media, como parte do programa Nobel Prize Inspiration Initiative (NPII), que leva laureados a universidades e centros de pesquisas a fim de inspirar e envolver jovens cientistas, comunidade científica e público em geral.

PESQUISA – Ao lado dos cientistas Jean-Pierre Sauvage e Ben Feringa, Fraser Stoddart recebeu o reconhecimento máximo nas ciências pelos trabalhos no desenvolvimento de nanoestruturas, moléculas macrocíclicas que se entrelaçam/encaixam por meio de ligações mecânicas.

Estas ligações permitem às moléculas realizar movimentos que geram trabalho, dando origem a espécies de motores moleculares que simulam, em escala molecular, engrenagens e motores utilizados no mundo macroscópico. Para isso, os pesquisadores se basearam em modelos de sistemas biológicos. “Somos inspirados pela natureza. As bactérias usam a mesma estrutura para bombear prótons de dentro e fora da célula”, compara Stoddart.

As duas principais nanoestruturas desenvolvidas pela equipe premiada são catenano e rotaxano. A primeira consiste na interconexão de dois ou mais macrociclos, de forma similar a uma corrente; a segunda pode ser descrita como um anel preso ao eixo de um halter (peso utilizado em academias). Stoddart foi o responsável principal pelos trabalhos com o rotaxano.

Com o desdobramento dos estudos, a ideia é que essas nanoestruturas sejam usadas em uma vasta gama de aplicações tecnológicas, como sensores, sistemas de armazenamento de informações (computadores moleculares) ou de energia etc. Entretanto, estas aplicações ainda estão em desenvolvimento.

A Academia Real de Ciências da Suécia avalia que, “em termos de desenvolvimento, o motor molecular está no mesmo estágio que o motor elétrico estava nos anos 1830, quando os cientistas exibiam rodas e manivelas rodando, sem saber como elas levariam ao desenvolvimento de trens elétricos e outros equipamentos essenciais na atualidade”.

PERFIL – Nascido com menos de dois quilos, em uma fazenda em Edimburgo, no Reino Unido, durante a Segunda Guerra Mundial, Stoddart conta que duvidaram de sua sobrevivência até o nascer do sol da manhã seguinte. Mas a criança se fortaleceu e, seis meses depois, a família decidiu tentar a vida na cidade.

A casa simples não tinha eletricidade até ele completar 18 anos. “Estávamos animados com a chegada da energia. Era próximo do Natal e, mesmo com toda a parte elétrica instalada em casa, o técnico não pôde vir. Foi aí que comecei a perceber minha personalidade audaciosa”, narra.

 Clique na imagem para ampliar. Arte: Secom UnB
                            

Como havia ajudado o eletricista com a fiação interna, julgou-se capaz de ligar a casa na rede de energia. A comemoração de Natal foi iluminada e a janelas fechadas, por causa do pavor da mãe em ter a clandestinidade descoberta. “Tivemos energia de graça por um mês e ela superou o medo de sermos pegos.”

Casado com Norma Stoddart, também química, teve duas filhas, Fiona e Alison, que também graduaram-se em química com honras, como a mãe. Stoddart estudou na Universidade de Edimburgo, onde recebeu o título de PhD em 1966. Trabalhou em universidades no Canadá e na Grã-Bretanha, mas foi na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) que desenvolveu grande parte de seu trabalho sobre as máquinas moleculares. Em 2007, foi condecorado Cavaleiro da Ordem do Império Britânico.


SERVIÇO
Palestra com Fraser Stoddart, ganhador do Nobel de Química
Data: 9 de abril de 2019
Local: auditório da ADUnB (campus Darcy Ribeiro)
Horário: 11h

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