Evolução ou retrocesso?

Artigo assinado por Isaac Roitmann, professor emérito da UnB e presidente da Comissão Geral do Movimento 2022, no Correio Braziliense – 

Evolução significa aperfeiçoamento, crescimento ou desenvolvimento de uma ideia ou de um sistema. A evolução biológica consiste na mudança das características hereditárias de grupos de organismos ao longo das gerações. Na biologia, a evolução pode prejudicar ou beneficiar as espécies, embora a palavra evolução muitas vezes está relacionada com progresso, no sentido biológico não existe esta conotação. Filosoficamente, representa uma alteração progressiva de um ser ou de um sistema em direção a um estado final. Na política, remete a um melhoramento gradual de parâmetros sociais, econômicos e políticos de uma sociedade.

A teoria da evolução – darwinismo – indica que a multiplicidade de seres vivos existentes atualmente é fruto da modificação lenta e progressiva de algumas espécies. Essa teoria surgiu no século 19 devido aos estudos de Charles Darwin e Alfred Wallace. Segundo essa teoria, o homem atual – Homo sapiens – é o resultado da evolução de espécies mais antigas como o Homo erectus. Sobre essa teoria, que é antagônica ao criacionismo, Sigmund Freud escreveu: “Ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autoestima. O primeiro, foi constatar que a Terra não é o centro do Universo. O segundo, ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente animal”.

No reino animal, somos um dos seres que demoram mais tempo para construir a independência e autonomia para as necessidades vitais. Lentamente, já adultos, construímos uma visão de mundo. No entanto, certas perguntas, que todos fazemos em alguma fase de nossa vida – de onde viemos, qual o significado da vida, para onde vamos -, não têm uma resposta definitiva. Ficamos então inseguros, pois é preciso ter algo em que acreditar para dar suporte a nossa existência. Algumas pessoas têm a religião como suporte absoluto. Outras encaram a vida se apegando ao ceticismo materialista. Algumas enveredam na política e agem orientadas por uma ideologia. Outras são simples espectadoras e mergulham em uma vida passiva, guiadas por valores equivocados difundidos pela mídia e por falsos profetas.

Viver não é ciência exata, é a arte de fazer escolhas. O principal objetivo da vida de cada um é conquistar a própria felicidade e ser um cúmplice na construção da felicidade coletiva. Os problemas humanos têm sua base no modelo e na forma dos relacionamentos. Uma boa fórmula é ter a satisfação das necessidades ao seu alcance, reduzindo os seus desejos. Na dimensão individual, temos um prazo de validade. Porém, como espécie, podemos ter perenidade se aprendermos a respeitar e administrar os limites de nosso planeta.

Infelizmente, apesar do alerta de grandes pensadores e humanistas, não tivemos sucessos em evitar guerras, em extinguirmos a injustiça social e universalizar a ética nas relações humanas. Estamos em uma encruzilhada. Se a raça humana não se aperfeiçoar minimizando a sua maldade, sua mesquinhez, seu individualismo e ignorância, ela também não sobreviverá. A preservação do planeta para as próximas gerações é prioritária. É preciso ter a consciência de utilizar os recursos naturais com equilíbrio, entender o valor da preservação ambiental, para que o planeta proporcione qualidade de vida no presente e para as futuras gerações. As atitudes, a educação, as ações e a conscientização devem ser as armas para a preservação. Ser ambientalmente responsável é promover a união harmônica entre o desenvolvimento econômico e social do homem com a natureza.

Além disso, precisamos ,de uma vez por todas, conquistar a paz global. O mundo de nossos dias é ameaçado pelo colapso e a destruição. Já temos armas de sobra para cometer essa insanidade. Vivemos um mundo com violências, injustiças, desigualdades e inversões de valores. É preciso conquistar mentes e corações e estabelecer novos paradigmas para termos um mundo novo, com amor e arte que tornam a existência tolerável. Somos todos responsáveis pelo futuro do Brasil e da humanidade. É pertinente lembrar o pensamento de Immanuel Kant: “Toda a reforma interior e toda a mudança para melhor dependem, exclusivamente, da aplicação do nosso próprio esforço”. Vamos evoluir na direção certa. Vamos construir um Brasil onde o fazer político não seja sinônimo de corrupção. Vamos construir um sistema de educação de qualidade para todas as crianças brasileiras. Vamos erradicar a injustiça social. Vamos todos ser cúmplices de uma evolução virtuosa e dizer não ao retrocesso.

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