Energias renováveis é tema de primeira audiência pública do Brasil que Queremos

Evento, que aconteceu no Senado Federal, é uma promoção conjunta da Comissão Senado do Futuro com o Movimento 2022: O Brasil que Queremos, uma realização da Universidade de Brasília (UnB) e da União Planetária (UP). Encontro chamou atenção para urgência de o Brasil diversificar sua matriz energética com a adoção de fontes alternativas de energia, que também têm grande potencial socioeconômico

Alternativas que ajudem a natureza e que gerem, também, impacto positivo no desenvolvimento social nas cidades brasileiras. Foi com esse objetivo que especialistas do setor energético participaram, nesta segunda-feira (12/03), da audiência pública “Energias Renováveis”, promovida pela Comissão Senado do Futuro (CSF) em parceria com o Movimento 2022: O Brasil que Queremos. O encontro teve o intuito de discutir e defender o uso de fontes alternativas, que não gerem impacto no meio ambiente, como as energias fotovoltaica e eólica.

A audiência pública teve a frente o presidente da Comissão Senado do Futuro, senador Helio José, que conduziu os trabalhos e contou com a participação do professor José Roberto Simões Moreira, da Universidade de São Paulo; Lívio Teixeira de Andrade, da Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia (MME); Cristiano Trein, da Rede de Pesquisadores Associados; Rafael Shayani, professor da Universidade de Brasília; e Ulisses Riedel, presidente da União Planetária.

“Estamos discutindo um tema transversal e muito importante para a sociedade”, ressaltou o senador Hélio José, destacando, também, a parceria entre a sua Comissão, a ONG União Planetária e Universidade, que tem o objetivo de promover debates sobre temas de relevância nacional. Os encontros acontecerão todas as segundas-feiras, a cada quinze dias.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda por eletricidade no Brasil vai triplicar até 2050 e representará um consumo similar ao de toda a União Européia. Para suprir essa crescente demanda da população brasileira e, ao mesmo tempo, não gerar impacto no meio ambiente, os participantes da audiência pública defenderam uma diversificação na matriz energética brasileira, que atualmente é fortemente hidráulica. Para o tecnologista Cristiano Trein, “vai se demandar muita energia, energia de qualidade, num tempo correto e da melhor maneira possível.

Além disso, Trein disse que “o planejamento urbano precisa considerar o viés energético nas suas decisões”, como uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável das cidades. Ele também defendeu mais investimento em energia renovável intermitente.

“Se aumentamos a nossa matriz apenas com fonte intermitente, vai nos faltar capacidade de manobra do sistema.  Isso coloca em risco a segurança energética. É importante que se compreenda que há um limite para a energia solar fotovoltaica, por ser intermitente. Hoje ainda carecemos do desenvolvimento de baterias mais baratas e mais eficientes”, destacou.

Para o professor José Roberto Simões, a geração dessas fontes alternativas pode significar um possível fim do ciclo do petróleo. No entanto, ele lembra que é preciso que haja uma mudança de paradigmas no que diz respeito à produção de energia limpa.

Mesmo liderando o ranking de produção de energias renováveis entre os países que integram o grupo dos Brics, o Brasil ainda precisa avançar e ver a pauta de energia elétrica como um tema que deve ser examinado de forma interdisciplinar. Foi o que destacou o professor da Universidade de Brasília, Rafael Shayni, trazendo alguns questionamentos sobre como as universidades estão preparando os novos profissionais da área de energia.

“Os pontos a serem estudados por profissionais da área devem observar a relação entre energia e meio ambiente, justiça social e saúde pública, direitos humanos, erradicação da pobreza e cidadania mundial”, defendeu.

Futuro das energias renováveis

Em sua exposição, o representante do Ministério de Minas e Energia apresentou um panorama geral sobre a geração de energias renováveis no Brasil, destacando o alto crescimento da geração eólica. Ele também destacou o potencial que o país tem para a geração de energia solar, fonte produzida através de placas solares, que deve ganhar força não apenas em usinas, mas também nos lares dos brasileiros.

Sobre o futuro das energias alternativas no Brasil, o governo é otimista. Uma das metas é que, até o ano 2030, o país atinja 23% de produção desse tipo de energia. Para isso, o governo prevê um investimento no setor, de 2017 a 2026, de 1,4 trilhão de reais.

Ciclo de audiências públicas

O debate sobre energias renováveis abriu o ciclo de debates que será promovido pelo Movimento 2022 O Brasil que Queremos e Comissão Senado do Futuro (CSF) sobre assuntos importantes voltados à sustentabilidade, saúde, educação, economia sustentável, políticas públicas inclusivas, qualidade de vida nas metrópoles brasileiras, ciência e tecnologia, empreendedorismo, entre outros temas.

Para o presidente da União Planetária, Ulisses Riedel, que também participou do debate, “a sociedade precisa conhecer e acompanhar os problemas mais sérios do Brasil com foco em encontrar soluções para tais questões”.

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