2022 entrevista ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Helena Campello

Projeto “Brasil sem Miséria”, que tirou 36 milhões de pessoas da pobreza, é um dos destaques do programa. A entrevista foi conduzida pelo professor emérito da Universidade de Brasília, Isaac Roitman e transmitida na TV SUPREN, canal de comunicação da União Planetária

Em reflexões sobre as ações necessárias para combater a pobreza e diminuir a desigualdade no Brasil, a economista da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Helena Campello, foi uma das entrevistadas do programa 2022: O Brasil que Queremos no mês de julho.

Logo no início do programa, a entrevistada destacou que há um grande desafio em relação a perspectiva do futuro do país, por existir uma dificuldade em acreditar na possibilidade de progresso. Ela também falou do projeto Brasil sem Miséria, que tirou mais de 36 milhões de pessoas da extrema pobreza no Brasil.

“Quando a gente lançou o Brasil sem Miséria, tínhamos metas de quantas cisternas queríamos fazer, quantas qualificações profissionais, dados de quantas pessoas tinham na miséria, ponto por ponto. Eram 120 metas. No final de 2014, que era o prazo para trabalharmos, nós publicamos este livro, com 800 páginas. Cumprimos todas as metas lançadas”, ressaltou, complementando que, “40 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza, 48 milhões de pessoas tiveram saneamento básico, milhões de jovens negros entraram na universidade. Isto significa o que? Política pública atuando”.

Formada no final da ditadura militar e início da Constituição de 1988, Campello também contou sobre suas experiências profissionais. Privilegiada por ter passado por este período de transformação e luta do país, ela afirma que as experiências que obteve no Rio Grande do Sul, assim como em outras cidades, foram inspiradoras. Além disso, a ex-ministra compara o governo da década de 90, que focava no Estado Mínimo, incluindo cortes de políticas sociais e a privatização, com a década de hoje, em que a privatização já é vista de forma negativa. embora ainda hajam retrocessos.  

João Vicente Goulart também é um entrevistado no programa

O escritor e político, João Vicente Goulart, também foi um dos entrevistados do 2022 e falou sobre o exílio de sua família no Uruguai durante sua infância, em 1964, de seu retorno ao Brasil depois do exílio, em 1976, de seu Instituto João Goulart e sobre sua obra: Jango e Eu: Memórias de um Exílio Sem Volta, que conta a história de seu pai. 

No programa, ele falou como o exílio no Uruguai, o afastamento do Brasil foi prejudicial, porque ficou longe de seus amigos, de sua pátria e de sua relação com à identidade nacional. Depois de passar pelo Uruguai, Paraguai, Argentina, devido à grande pressão sobre ele e sua família, o pré-candidato à presidência da República terminou indo à Inglaterra estudar. Em 1976 voltou ao Brasil, devido a morte de seu pai no exílio, lutando pelos direitos do povo. “O exílio é muito duro. O exílio é essas lutas de sobrevivência, vamos dizer assim”, refletiu. 

Em 2004, o Instituto Presidente João Goulart foi criado com o objetivo de resgatar os documentos perdidos e as lutas trabalhistas, que foram perdidas nos 21 anos de ditadura militar. Depois de 40 anos da morte de seu pai, João Vicente Goulart publicou, em dezembro de 2016, a obra “Jango e Eu: Memórias de um Exílio Sem Volta”. No bate-papo com Isaac Roitman, ele conta como escreveu o livro, sua trajetória de vida, desafios e fala sobre as propostas de seu governo.

Arquitetura e Urbanismo Ecológico 

A arquiteta e urbanista Regina Fittipaldi foi outra entrevistada no programa 2022: O Brasil que Queremos e contou quais são suas atividades e como surgiu o interesse em relacionar a ecologia com a arquitetura e urbanismo na Universidade da Paz (Unipaz), onde utiliza os estudos de Ciências Ambientais, Cultura de Paz e Ecologia Profunda.

“A medida em que eu fui desenvolvendo minha atividade profissional, eu fui me dando conta de que não era assim. Então, veio a ECO 92 com toda aquela reflexão sobre o meio ambiente e eu me dei conta que nós éramos seres não-ecológicos”, disse.

Sempre muito curiosa com as diversas possibilidades de não agredir o meio ambiente e conseguir ter harmonia com a natureza, Fittipaldi aprofundou seus estudos e se dedicou a pensar nos danos que podem ser evitados em seu trabalho.

Além de querer transmitir esta nova consciência para outras pessoas, ela vai além e busca passar esta consciência também para a política, para que haja um processo de transformação social.

Professor português é convidado especial do 2022

E para finalizar as entrevistas do mês de julho, o programa entrevistou o professor português Luís Lóia, da Universidade Católica Portuguesa. No programa, Lóia falou sobre sua atuação acadêmica na universidade portuguesa e no Colégio Manuel Bernardes. Além disso, ele explicou a importância dos países lusófonos, destacou o curso que veio dar na Universidade de Brasília, sobre o físico português Eudoro de Sousa e a revista Águia de Portugal.

“A revista Águia foi uma revista de cultura, filosofia e artes. Era uma revista muito eclética, que surgiu em 1910”. Ele também conta que o diferencial dela é que não era uma revista acadêmica, mesmo que contasse com a contribuição de alguns acadêmicos, era uma revista mais aberta e uma iniciativa sociedade civil, com o objetivo de criar um novo projeto na sociedade sem focar na política, e sim, na Filosofia, Arte, Cultura e Poesia.

O professor português também deixou um recado para os jovens brasileiros, ressaltando que a educação é fundamental para qualquer organização e, por isso, é preciso dar a devida importância para a formação pessoal, para, depois, os jovens construírem o Brasil que desejam.

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